sábado, 27 de outubro de 2012

The Divide - 2011


Até onde vai o ser humano? É essa a pergunta que nos fazemos após assistir The Divide. Apos uma explosão nuclear um grupo se refugia em um abrigo que estava preparado para catástrofes. Os problemas começam para o grupo quando água e comida começam a ficar escassos.

Incrivelmente o roteiro envolve os personagens com o publico, aqui não existem mocinhos e não existem vilões, aqui existem pessoas psicologicamente despreparadas para uma acontecimento como o fim do mundo, não poderia ser diferente. Outro grande acerto do roteiro foi mostrar a degradação psicológica de cada personagem.

O diretor Xavier Gens não poupa o publico de cenas fortes. Xavier teve praticamente um cenário para as filmagens que é o abrigo, exigindo boa habilidade com a câmera para não tornar o filme visualmente massante, exigência correspondida com perfeição pelo diretor que tem em seu currículo o violento “Frontiéres”.

Destaque para atuações dignas de aplausos de todos os envolvidos. Não existe esperança nessa historia, não existe certo ou errado, existe apenas humanos. O que nós somos e até onde podemos chegar? The Divide não te responde, mas vai te fazer pensar!

 

Cosmópolis - 2012




 Crítica feita por mim para o portalcritico.com

Cosmópolis é um estudo das consequências que o poder exerce na vida de uma pessoa. O que o poder faria com você?

Eric Packer (Robert Pattinson) é o resultado do poder nas mãos de um ser humano, onde suas vontades devem ser satisfeitas, mesmo que seja necessário ignorar o mundo à sua volta. David Cronenberg nos mostra o vazio da humanidade, o casamento sem amor, o sexo sem prazer, o dinheiro que mata o presente para viver o futuro.

O filme se passa, em boa parte, dentro da limusine de Packer - praticamente um trono, onde o mundo pode acabar, mas o seu rei continuará intocável... Todavia, e se o trono está ameaçado e o rei perder seu poder de um dia para o outro? Packer está prestes a ver seu reino desmoronar junto com sua estabilidade emocional. A desconstrução do personagem no decorrer da projeção beira à perfeição, seja pela lente de Cronenberg ou pela atuação soberba de Pattinson.

Packer tenta em todos os momentos preencher o vazio interior: seja comprando um avião de guerra apenas para ficar apreciando, ou transar com várias mulheres (uma delas é Juliette Binoche, linda e sensual) e até mesmo tentando seduzir sua mulher - fruto de um casamento sem amor. Esse vazio o leva a conhecer o outro lado da moeda (representado magistralmente por Paul Giamatti): o que aconteceria se a sociedade colocasse um arma na cabeça da economia?

David Cronenberg não entrega nada mastigado: os diálogos complexos estão ali para camuflar os sentimentos de Packer. A câmera é insistente em transmitir algo bizarro por trás dos seres humanos. 

Matar o passado para viver o futuro?... Questione-se.

 
 

Ato De Coragem (Act Of Valor) - 2012




Crítica feita por mim para o portalcritico.com

Guerra! Assunto recorrente no cinema e que necessita de muito cuidado de todos os envolvidos, principalmente os responsáveis pela direção e roteiro. Por conter cenas de ação sem emoção e roteiro pífio Ato de Coragem perde a guerra e se rende ao esquecimento.

A ideia é boa, misturar fuzileiros navais com atores em um filme de ação onde o foco principal é passar  o maior realismo possível nas cenas onde "o chumbo rola solto", o grande problema é uma direção equivocada que tenta agradar a todos e não consegue agradar ninguém. O que mais assusta é saber que esse “mission fail” é assinado por dois diretores Mike McCoy e Scott Waugh que não entendem nada do riscado e tentam misturar cenas de ação à moda antiga com as “manias” de videoclipe do cinema de ação atual, lógico que não daria certo.

Se as cenas de ação são ruins, o roteiro é bom? Não! Assinado por Kurt Johnstad, o roteiro é péssimo, apesar da minha tentativa de digerir a propaganda do Exército Americano na maioria dos filmes de guerra feitos por esse povo, neste aqui a tática não funcionou. Eu realmente tentei ficar alheio a esta propaganda mas ela esta presente o tempo todo, é o tempo todo o protagonista explicando o porquê é bom “lutar pela pátria”, e lógico que com esse argumento vazio o roteiro não prende o público que torce a cada minuto pelo fim da projeção.

As atuações são boas? Não, os fuzileiros ali envolvidos são péssimos e os atores profissionais conseguem entregar atuações mais ridículas ainda. Tentativas vergonhosas de emocionar o público provoca o sentimento de vergonha alheia para quem esta assistindo.

Quando finalmente a propaganda...ops... desculpa! Quando finalmente o filme acaba e os créditos aparecem, a sensação que fica que quem venceu a “guerra” foi o coitado que conseguiu assistir este equívoco até o fim!
 

Intocáveis (Intouchables) - 2012




Crítica feita por mim para o portalcritico.com

O Cinema nos proporciona momentos únicos, emoções que guardamos para sempre. Intocáveis é uma produção que se encaixa nesse contesto. Com sutileza e humor somos apresentados a vida do paraplégico Phillippe (François Cluzet) que procura um acompanhante competente para cuidar de sua vida e suas necessidades.

Chega em sua vida o imigrante Senegalês Driss (Omar Sy), um adulto problemático que se encontra sem rumo. Lógico que como já era esperado surge uma amizade inesquecível entre os protagonistas, é nesse ponto que o roteiro e a direção fazem a diferença.

Nada aqui é piegas, os dramas de uma pessoa nas condições de Phillipe são mostrados de forma sútil e com humor inteligente. Acompanhar a saga de Driss para aprender a cuidar de uma pessoa deficiente é fascinante. Driss encontra seu lado mais humano com Phillipe, isso é apresentado em pequenas doses, até que no fim da projeção percebemos o quanto o personagem evoluiu.

Phillipe já não tem esperanças na vida e encontra na alegria de Driss um novo motivo para buscar dias melhores. Interessante o lado social que é explorado com cautela pelo roteiro, um Senegalês empurrando a cadeira de um empresário Francês, assim como aconteceu na economia francesa.

Tudo funciona no filme, a produção, direção e o roteiro e as atuações arrebatadoras. Intocáveis ensina que a amizade rompe barreiras, supera dificuldades e faz amadurecer. A história desses dois amigos proporciona momentos e lembranças que nos tornam pessoas melhores. O público será tocado de forma irreversível por essa história.
 

Lola - 2012



 
 Crítica feita por mim para o portalcritico.com

Apostar em uma produção que tem Miley Cyrus como protagonista pode ser uma boa aposta comercial e pode ser um suicídio profissional para a parte técnica envolvida no projeto. Em Lola encontramos a musa “pop” dedica em seu papel, não é uma atriz que compromete, mas ela faz o necessário dentro das suas limitações. A produção cumpriu sua missão e entregou seu trabalho de forma competente. Vale lembrar que se trata de um remake do filme francês "Rindo á Toa".

Quando assisti esse filme, realmente não esperava nada e resolvi “desligar” de críticas negativas, do público e mídia. E bingo! Me surpreendeu! Não encontramos nada de original, estão ali clichês encontrados em vários filmes que apostam no drama com pitadas de comédia e mais ainda quando apostam em adolescentes como seu “arco” principal.

A relação entre mãe e filha é mostrada de forma sútil e verdadeira, as duas erram demais tentando acertar, uma tem mais experiência, mas no fim as duas procuram e desejam a mesma coisa. O grande mérito do roteiro foi explorar esse lado “família’. Tudo na produção remete a valores familiares, que é uma boa aposta, o filme não “entrega ao público” apenas um romance adolescente bobo, entrega um interessante drama familiar que pega leve em suas questões apresentadas, mas acerta nas mesmas. Acerta no ponto de vista dos filhos e dos pais. As dúvidas da adolescência e as dúvidas de como criar um filho estão ali de forma delicada e bem feita.

Demi Moore e Thomas Jane como pais de Lola entregam atuações satisfatórias, o elenco ainda conta com Gina Gershon em um papel tão pequeno que pode passar despercebido ao mais distraídos.

Destaque para a trilha sonora que embala essa produção que não apresenta nada de novo, mas ensina que apesar de todas as dificuldades que são próprias do mundo moderno, a família sempre vai estar ali, ajudando a crescer e amadurecer.